EXPRESSO DE FELGUEIRAS (EP)- Há quantos anos é padre?
Padre Rodrigo Ferreira (RF) – Há 43 anos.
EF- Desde sempre esteve na paróquia de Margaride, ou trabalhou noutras paróquias?
Padre Rodrigo Ferreira – Comecei o exercício do sacerdócio na cidade de Amarante, na qualidade de coadjutor do respectivo pároco. Aí trabalhei de Outubro de 1963 a Fevereiro de 1966. Desde então, até Abril de 1976, paroquiei Bitarães e Gondelães, no concelho de Paredes. De Abril de 1976 a Outubro de 2005 fui pároco em Margaride. Cumulativamente, durante esse período, assumi, durante algum tempo, o serviço paroquial em Jugueiros, Sendim e S. Jorge de Várzea. Nesta durante três anos. Fui também professor de Moral na Escola Preparatória de Paredes e na Escola Secundária de Felgueiras, enquanto a vida paroquial mo foi permitindo. Presentemente, sou capelão da Misericórdia de Felgueiras, exercendo ministério no Lar de Nossa Senhora da Conceição.
EF- Como lhe surgiu o gosto pelo sacerdócio?
Pe RF – Nasci numa família profundamente cristã. A oração diária em família estava ligada à refeição da noite. Era tão natural uma como a outra. Além disso, como muita gente sabe, sou irmão do Pe João Ferreira, capelão da Misericórdia até há pouco tempo. É mais velho que eu dez anos. Quando concluí a 4ª classe da instrução primária, estava ele quase no fim do curso de teologia. O Pe João foi para mim um grande luzeiro e modelo. Uma vez ordenado padre, tornou-se o meu patrono. Claro que, para ser padre é indispensável o chamamento divino. É através de sinais que Deus nos vai indicando o caminho para a nossa realização que se atinge na medida da nossa entrega ao serviço dos outros. Resumindo: o ambiente cristão da família e a luz que o meu irmão irradiava foram os grandes sinais a indicar-me o caminho do sacerdócio.
EF- Em todos estes anos nunca se deixou fraquejar e pensou em deixar esta vocação sacerdotal?
Pe RF- Mau seria que, durante a adolescência e até á maturidade juvenil, não surgissem dúvidas e hesitações. Pior seria se, ao longo de doze anos de seminário, elas não se dissipassem. São necessárias para testar a autenticidade e segurança da vocação. No meu caso, aos 24 anos (a dois da ordenação sacerdotal), tudo ficou claro, firme e decidido. Faltava apenas a palavra final do bispo da diocese o que, aliás, não constituía o mínimo motivo de preocupação. Desde então até ao presente, nem sequer durante um segundo, tive qualquer dúvida. Apesar das dificuldades de que a vida dum padre não está isenta, estou convencido de que, com a força vinda do alto, percorri e continuo a percorrer o caminho certo, pelo que me sinto muito feliz. Considero-me um padre privilegiado por ter junto de mim a minha irmã, Maria Amélia, que me acompanha com inexcedível dedicação há mais de quarenta anos. Ter uma irmã assim é hoje, para um padre, um privilégio raríssimo. Admiro os colegas que vivem sozinhos na casa paroquial e nem por isso desfalecem no seu entusiasmo sacerdotal.
EF - Tendo em conta a falta de vocações de que hoje cada vez mais se fala, pode dizer-se que é mais difícil ser sacerdote agora do que há uns anos atrás?
PR - Creio que a falta de vocações não está directamente relacionada com a maior ou menor dificuldade em ser padre hoje. A causa é mais profunda. Radica na crise da família e da sociedade, na profunda mutação cultural das últimas décadas. Deu-se uma enorme inversão de valores. Quanto à maior ou menos dificuldade de exercer actualmente o ministério sacerdotal, nem me parece mais fácil, nem mais difícil. O modo como se exerce é que é diferente. O Concilio Vaticano II, convocado por João XXIII e encerrado por Paulo VI, está na génese duma notabilíssima mudança e actualização no modo de se ser igreja e de se trabalhar nela. E, entre nós, o 25 de Abril proporcionou uma enorme transformação da nossa sociedade. Necessariamente a Igreja (leigos e padres) vêem-se hoje confrontados com novos desafios e exigências pastorais, o que é fortemente estimulante. De qualquer modo não sinto agora mais dificuldade em ser padre do que há 40 anos.
EF - A vida de um padre não passa apenas pelas obrigações sacerdotais. É sabido que os párocos ocuparam, durante muitos anos, o papel do conselheiro e do amigo próximo dos paroquianos. Hoje ainda se verificam estas situações? Ainda há a procura do padre para pedir conselhos, ou não?
PR – Em todos os tempos, o pároco tem sido e continuará a ser um amigo próximo dos paroquianos. Mais do que outrora, hoje as pessoas precisam de ter alguém que lhes mereça total confiança e que se disponha a ouvi-las sem pressas. Naturalmente, nestas circunstâncias, sentem-se confortadas com a palavra amiga e orientadora do sacerdote.
EF - Há muitas diferenças do paroquiano de hoje e do paroquiano de antigamente?
PR – A mutação cultural atingiu toda a população em geral. E não tem apenas aspectos negativos; também os tem positivos: maior abertura e sinceridade, uma fé mais esclarecida, maior capacidade para assumir tarefas na paróquia, maior sentido de co-responsabilidade eclesial. Claro que haverá sempre muito a progredir.
EF - O que está, na sua opinião, na falta de interesse das pessoas pela Igreja?
PR – Antigamente verificava-se muito o “Maria vai com as outras”. Agora só vai à igreja quem encontra razões pessoais para ir. Funciona muito mais a convicção pessoal do que a pressão social. Aliás, esta pressiona agora no sentido inverso. As causas do abandono da prática religiosa (o que não é rigorosamente o abandono da Igreja) radicam em boa medida na mutação cultural e inversão de valores a que já me referi. De qualquer modo, é de assinalar que, entre nós, a igreja matriz de Margaride enche quatro vezes em cada fim-de-semana. De resto, também aqui devemos afirmar que interessa mais a qualidade do que a quantidade.EP - Nestes anos frente aos destinos da paróquia de Margaride deixou muita obra feita. Quer nos falar de algumas coisas importantes deixadas à comunidade?
PR – Não quero falar disso. Apenas direi que, quanto a obras que se vêem, a paróquia apenas fez o que tinha que ser feito e que foi possível fazer. Durante os trinta anos de paroquialidade, a minha maior preocupação ( e não podia ser outra) foi a construção da igreja viva.
EF - Para além de pároco é conhecido o seu gosto pelos escuteiros, sabendo-se que faz parte do Agrupamento de Margaride. É importante a existência de uma instituição desta natureza para a formação dos mais jovens?
PR - Sem dúvida. O CNE, escutismo católico, é um movimento valiosíssimo na educação e formação das crianças, adolescentes e jovens, transmitindo-lhes, segundo uma pedagogia própria, os valores universalmente reconhecidos como tais enriquecidos pelos valores evangélicos. Margaride tem um grande agrupamento sempre aberto à paróquia e à comunidade felgueirense, o que tem sido possível pela dedicação e qualidade dos seus dirigentes.
EF - Há pouco tempo deixou o seu trabalho na paróquia de Margaride. Porque razão decidiu abandonar um trabalho de tantos anos?
PR – Não deixei, nem abandonei o trabalho na paróquia de Margaride. Apenas deixei de ser pároco e passei a ser paroquiano. Como bom paroquiano que me esforço por ser, presto ao meu pároco, na medida do possível, toda a colaboração que me é pedida. E tenho nisso muita alegria. Por que deixei de ser pároco? Exclusivamente por razões de saúde. Foi na data limite. Se o não fizesse, seriam inevitáveis duas consequências: destruir-me-ia prematuramente e a paróquia iria ressentir-se gravemente, por não ter pároco à altura das suas necessidades e exigências pastorais. Foi com grande alegria e entusiasmo que doei à paróquia de Margaride a maior fatia da minha vida.
EF - Hoje muito se fala na possibilidade dos padres poderem contrair matrimónio. Qual é a sua opinião sobre este assunto?
PR – Abracei, livre e conscientemente, o sacerdócio na condição de celibatário. É uma forma privilegiada de, à maneira de Jesus Cristo, dar testemunho do reino de Deus, já neste mundo e de viver inteiramente livre e disponível para o trabalho pastoral. Entretanto, o celibato sacerdotal não é questão teológica, mas disciplinar. Por isso, não é impossível que a Igreja venha a admitir ao sacerdócio homens casados. Isso não me escandalizaria. Mas, por essa via não se resolveria o problema da crise de vocações. A experiência das igrejas protestantes comprova isso mesmo.
EF - Estamos no mês de Dezembro, tradicional mês de Natal. As ruas enchem-se de enfeites típicos da época, as lojas enchem-se de brinquedos… Mas o Natal será isto? Será que as pessoas não se estão a esquecer cada vez mais do verdadeiro sentido do que é o Natal?
PR – O Natal mercantilista e consumista já está em toda a parte há bastante tempo. Até nas iluminações, os tradicionais símbolos natalícios estão a ser substituídos pela representação de artigos de consumo. Não é esse o Natal cristão. Deturpou-se o sentido e a vivência do verdadeiro Natal. Até se tenta conciliar o inconciliável: o pai natal com o Menino Jesus.
EF - Convido-o agora a deixar uma mensagem de Natal a todos os felgueirenses.
PR - Para todos os felgueirenses, votos de um Natal autenticamente cristão e feliz. Que os mais pobres, e doentes sejam beneficiários de gestos e atitudes que os façam sentir que Deus os ama infinitamente.
sábado, 14 de junho de 2008
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Sou um Antigo escoteiro de margaride (Silvio Ferraz), e Pertenco neste momento aos escoteiros Ingleses de (1 group Corby) e gostaria de manter um contacto com os escoteiros de Margaride para um dia se poder fazer um intercambio internacion
O meu contacto é: Mail: silvio.ferraz@hotmail.com
telemovel: 00447530891675
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